Ferramentas digitais para impulsionar vendas

PUBLICADO EM: 21 JULHO – 2020

Aliada de primeira hora, tecnologia é arma do agronegócio para conquistar o mundo

Único setor da economia que se manteve positivo antes, durante e após o período agudo da crise decorrente da pandemia, o agronegócio se consolida como carro-chefe absoluto na retomada da economia nacional. Mas para garantir esse papel e, sobretudo, aproveitar as oportunidades de mercado – abertas pelo recuo econômico chinês e pelas perdas de safra americanas – será necessário ao setor lançar mão de todo o arsenal de inovação tecnológica disponível para, ao mesmo tempo, expandir os negócios no exterior, mas se mantendo competitivo internamente.

Motivos para otimismo não faltam. De acordo com o coordenador econômico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Renato Conchon, enquanto a indústria, este ano, deve apurar recuo de 7,9%, o comércio, de -9,8% e de -5,5%, nos serviços, o agronegócio continua na contramão dos demais e comemorando recordes de produção e de exportação. Responsável por um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o setor deve registrar crescimento entre 3,2% e 3,7% este ano, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Também reforça o bom momento a previsão da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), de um avanço de 6% nas exportações agrícolas em 2020, o equivalente a uma receita de US$ 102 bilhões, de acordo com o coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques. Segundo publicação recente da Exame, o PIB do agronegócio deve crescer este ano 2,5%, com uma receita global de R$ 728 bilhões de reais, batendo recorde.

Paralelamente, no nível interno, o país se prepara para colher, em 2020 mesmo, uma superssafra – a maior da história – de 250 milhões de toneladas de grãos, volume este que poderá chegar a 300 milhões de toneladas em 2027, na previsão do economista, professor e pesquisador sênior de agronegócio global do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Marcos Jank.

Mergulho definitivo – No entanto, para cimentar esse caminho de sucesso, o agronegócio terá de se reinventar e ‘mergulhar’ definitivamente na era digital (Agro 4.0), com o suporte de ferramentas digitais que otimizem o tempo, reduzam riscos e erros financeiros, eliminem perdas de produtividade e aumento de custos. Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e computação cognitiva, segundo o blog Simova, estão entre as principais ‘armas’ na guerra pela competividade, aqui e lá fora.

Também entram nesse arsenal, o gerenciamento remoto das propriedades (controle, em tempo rea) e dos números do negócio, visando reduzir custos de processos e perdas de produção. Dessa forma, o monitoramento digital reedita, na visão virtual, o velho adágio, segundo o qual o que “engorda o boi é o olho do dono”. Em outras palavras, o que faz a diferença no concorrido mundo do agronegócio “é ficar de olho nos dados da produção, por meio de indicadores de desempenho com vistas à tomada de decisão mais precisa possível”.

Para atingir esse objetivo, contudo, cinco inovações digitais têm importância estratégica para auferir ganhos de eficiência, de acordo com o especialista em marketing digital, Thiago Fantim, em artigo publicado no site Agrosmart, começando por sensores digitais capazes de realizar coleta de dados no solo e executarem tarefas a distância, em tempo real. Ao mesmo tempo, ferramentas digitais, como Internet das Coisas (IoT) e Big Data poderão fornecer informações mais precisas na tomada de decisão. O uso de drones é outra inovação muito importante, pois esse equipamento, por meio da captação de imagens aéreas, permite acompanhar o desenvolvimento das lavouras, ocorrência de pragas, estresse hídrico e outras doenças comuns no campo. 

Já o software de Gestão, como diz o nome, se encarrega de organizar as operações que integram o processo de gestão diária da propriedade rural, com ênfase nos custos de produção. Sob a forma de nuvem, no jargão da informática, esse aplicativo tem tido forte demanda pelo mercado. A agricultura vertical, por sua vez, se destina à produção de camadas verticais, muito adotada nos grandes centros urbanos, conjugando agricultura tradicional com controle ambiental. Pelo viés da comercialização, o marketplace é o canal digital no qual os produtos do agronegócio ganham maior visibilidade no mercado e demandas crescentes.

Embrapa: crise obriga setor a trocar meta de digitalização, de décadas, por semanas

Silvia Massruhá – chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária

“O produtor também teve de incorporar, em questão de semanas, tecnologias digitais que demorariam décadas para serem para ser inteiramente adotadas”, admite a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá, para quem o cenário pandêmico acelerou, sobremaneira, a internalização das ferramentas tecnológicas por parte dos produtores, numa corrida contra o tempo para uma tomada de decisão precisa, com base em plataformas de comercialização, ferramentas de sensoriamento remoto (para a comunicação e comprovação de perdas agrícolas), ambientes de capacitação online e aplicativos de celulares, entre outras alternativas. A fim de garantir transparência ao ambiente virtual, a tecnologia blockchain agiliza o processamento e análise de dados de informações sobre o processo de produção – do fornecedor de insumos ao produtor e deste ao consumidor.

Desde o início de abril último, conta Silvia, resolução do Banco Central (BC) permite que produtores rurais e agentes do Proagro utilizem o Sistema de Análise Temporal da Vegetação (SATVeg) – desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária – realizem essa verificação de forma remota, face às restrições de mobilidade impostas pela pandemia. Outra medida positiva é a parceria celebrada com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que tornou possível à Embrapa oferecer cursos online a produtores e técnicos de extensão rural, além de outro, para capacitação de técnicos da Conab no uso do sistema WebAgritec. A instituição também presta auxílio no monitoramento de safras e no desenvolvimento de tecnologia com startups para ajudar produtores com dificuldades de comercialização da produção durante a pandemia”, informa Silvia.

Outra inovação importante, acentua a chefe da Embrapa, é o aplicativo Zarc Plantio Certo, desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura, pelo qual produtores rurais e agentes do agronegócio podem verificar a melhor época do ano para a semeadura, com base em dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Ela cita, ainda, o Bioinsumos, aplicativo pelo qual o usuário poderá encontrar, por meio de uma lista, o insumo biológico adequado para o controle de pragas ou outras doenças do campo ou, no caso dos inoculantes, selecionando a cultura-alvo. Resultante de outra parceria entre a Embrapa e o Mapa, o aplicativo do programa de seguro rural mantém o produtor em conexão permanente com seguradoras, num ambiente virtual em que ele pode simular prêmios e subvenções.

Ela explica que “enquanto que na pré-produção, plataformas de Big Data e aprendizado de máquina são utilizadas na prospecção de genes resistentes a estresse hídrico e a doenças, na fase de produção (do plantio à colheita), tecnologias digitais, de visão computacional e inteligência artificial, são empregadas em processos de irrigação e na aplicação de defensivos e fertilizantes”, conta. Completando o ciclo, na pós-produção, por sua vez, tecnologias digitais otimizam o processo de armazenamento, comercialização, distribuição e logística. Entre as vantagens da aplicação desse ferramental, Silvia destaca a determinação da melhor época de plantio, o monitoramento da lavoura, a gestão da propriedade, manutenção do maquinário, mitigação de perdas e, ao mesmo tempo, o aumento da produtividade.

A representante da Embrapa cita outra inovação, como a irrigação inteligente na área de produção de grãos, que consegue eliminar desperdícios de 30% no uso da água. Paralelamente, sistemas de monitoramento do microclima alertam sobre o risco de propagação de doenças e o uso excessivo de defensivos. Ao mesmo tempo, ela revela que, “por meio de uma visão computacional é possível fazer a classificação automática do grão, que permite ao produtor escolher, com antecedência, o melhor momento para vender seu produto a uma trade”. 

Sobre o quanto é preciso investir em ferramentais digitais para impulsionar as vendas, Silvia entende que a resposta não é simples. “Devem ser observados aspectos, como descrição e proposta da tecnologia, pontos positivos e negativos da tecnologia digital, avaliar os ganhos a serem auferidos com ela, além de identificar as mudanças corporativas necessárias para viabilizar a adoção dessa tecnologia. Entre os fatores de incerteza, a chefe-geral da Embrapa aponta eventuais limitações na infraestrutura de tecnologia da informação (TI) da fazenda ou da região podem restringir o uso da tecnologia, além do risco de impacto financeiro e uma necessidade de capacitação. Mesmo reconhecendo o ‘potencial infinito’ da tecnologia, Silvia reconhece que esta não é suficiente para superar os desafios de infraestrutura, relacionados à capacitação, infraestrutura de telecomunicações, regulação, definição de padrões e segurança da informação, além de eliminação de custos elevados.

Em sintonia com as agtechs (startups do agro 4.0), a Embrapa criou o “Pontes para Inovação”, plataforma, que conecta 11 startups aceleradas conecta investidores, por meio da ferramenta Venture Hub, o TechStart Agro Digital,. Novo ciclo, ainda este ano, está com inscrições abertas. Juntamente com os ministérios da Agricultura (MAPA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a Embrapa acaba de criar a Câmara do Agro 4.0, lançada âmbito do Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT.BR), que prevê ações de expansão da internet e adoção de novas tecnologias e serviços inovadores no meio rural.

BASF dribla crise criando e-CPR para viabilizar negócios do setor

Eduardo Menezes – gerente de Produtos Digitais da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF na América Latina

O agravamento da pandemia tornou mais urgente, para a BASF, a necessidade de desenvolver processos totalmente digitalizados, com base em interações virtuais. Por conta disso, a multinacional de origem alemã resolveu lançar a e-CPR (Cédula de Produto Rural eletrônica), unidade de valor que facilita a realização de “barter”, ou seja, a troca da produção por insumos, por parte do produtor. Com emissão iniciada este ano, a e-CPR decorre de parceria, firmada em 2017, com a startup Agrostart, que oferece codesenvolvimento de produtos digitais, aceleração de startups maduras (para facilitar o acesso ao mercado), mentorias, possibilidade de investimento financeiro.

 “Neste momento de incerteza, decorrente da disseminação do coronavírus no planeta, em que precisamos evitar as aglomerações de pessoas, viagens e troca de documentos físicos, a emissão de títulos eletrônicos traz mais eficiência interna para o negócio e, consequentemente, facilita o acesso ao crédito por parte do agricultor”, pontua o gerente de Produtos Digitais da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF na América Latina, Eduardo Menezes. Para ele, além de praticidade de uso, a cédula eletrônica deve trazer mais segurança ao agricultor. “Como o crescimento do volume de operações de barter, a e-CPR deve atender mais rapidamente a demanda do agricultor”, acrescenta.

Sintoma dos novos tempos, Menezes observa que, “graças ao processo eletrônico, o tempo para a emissão da CPR cai pela metade, reduz burocracia (papelada referente à negociação), além de custos com cartórios, correios e deslocamento”. Também em parceria com a startup israelense Taranis, a BASF desenvolve a solução Monitoramento Digital, “para identificação de pragas, doenças e plantas daninhas, por meio de imagens aéreas e de uma plataforma de inteligência artificial, para um manejo mais assertivo”. Na sua avaliação, sistemas de rastreabilidade (técnica que indica a origem do produto), Inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e big data estão entre as inovações tecnológicas que estão definitivamente inseridas no dia a dia da agricultura brasileira.

“Com os dados na palma da mão, o agricultor pode traçar a melhor estratégia com foco na produtividade e do uso racional dos recursos disponíveis. Atualmente, vivemos a transformação digital no agronegócio com o surgimento de novas tecnologias”, aponta Menezes. “Ao contribuir com a produtividade das lavouras, as ferramentas digitais colaboram com a segurança alimentar da população”, argumenta o gerente da BASF.

Startup, fator estratégico – Também chamadas de ‘agtechs’, as startups do agronegócio ganham espaço e importância estratégica nos planos de negócio do setor, a exemplo do que mostra o Radar Agtech Brasil 2019: Mapeamento das Startups do Setor Agro Brasileiro”, realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a SP Ventures e a consultoria Homo Ludens.

Ao analisar, identificar e classificar 1.125 startups atualmente em atividade no país, o estudo indica que 90% desse universo se concentram nas regiões Sul e Sudeste, onde estão os maiores índices de escolaridade do país. Essa concentração é bem visível nas principais capitais, como São Paulo (262); Piracicaba (41); Campinas (38); Ribeirão Preto (37); Curitiba (36); Rio de Janeiro (35); Porto Alegre (29); Belo Horizonte (24); Florianópolis (21); Uberlândia (19); Goiânia (17); São José dos Campos (17); Londrina (15); Campo Grande (14); São Carlos (14), entre outras. Dessas 1.125 startups detectadas, 391 são especializadas em oferecer soluções eficazes, “de dentro da porteira”, enquanto as demais dispõem de tecnologias aplicáveis fora da propriedade.

Holambra reforça canais digitais de comercialização para superar crise

Marcos Delafina – gerente de Tecnologia da Informação da Veiling

Ícone de beleza, associada à eficiência dos negócios, o grupo Holambra (Cooperativa Veiling) reforçou sua presença nos canais digitais, investindo em ferramentais virtuais, para se manter seus negócios em ritmo de crescimento na pandemia. Durante o pico da crise, a empresa decidiu destinou aplicar boa parte de seus recursos na ampliação de seu canal de e-commerce, tendo em vista atenuar a redução brusca da comercialização no ambiente presencial. Ao mesmo tempo, a empresa conferiu prioridade absoluta à tecnologia big data para remodelar seus  processos internos.

 “Especificamente no e-commerce, estamos reestruturando a solução, revitalizando o design, para que se torne mais intuitivo e abra facilidades aos clientes”, revela o gerente de Tecnologia da Informação da cooperativa, Marcos Delafina. “O principal objetivo é consolidar diferentes ferramentas de compra em uma única plataforma, em que o próprio cliente simplifica o processo     de venda aos produtores, e, consequentemente, para a cooperativa”, completa.

Ao disporem de uma plataforma exclusiva, produtores e clientes, segundo o gerente, poderão se conectar e fechar negócio com a cooperativa, de forma ágil, intuitiva, agregando valor ao negócio, com o uso de smartphones”. “Essa integração permitirá a atração de novos clientes, a partir do compartilhamento de novos produtos e lançamentos, favorecendo, com isso, o engajamento em toda a cadeia”, prevê Delafina.

No entendimento do gerente cooperativo, no momento, o maior desafio do big data “é que se consiga sair do modo reativo, relacionado às seguintes perguntas: Quanto faturamos este ano? Por que faturamos menos que o ano anterior? Já o modo proativo conteria questionamentos como: Qual a estimativa de faturamento para o ano fiscal? O que deve ser feito para faturarmos mais”.  

Autonomia na decisão – “Além de facilitar a captura de dados em todas as fases da cadeia produtiva das flores, a tecnologia permite acessar informações gerenciadas e monitoradas essenciais hoje a qualquer ramo de negócio”, de acordo com a gerente de produto da Veiling, Patrícia Fabiano Bechelli. Seu entendimento é de que, “no setor de flores e plantas, também não é diferente, pois a tecnologia fornece informações precisas sobre a produção, conferindo, em tempo real, maior autonomia ao produtor na tomada de decisão, seja no campo da logística, transporte ou comercialização”. 

Para turbinar as vendas, o grupo Holambra lança mão de ferramentas digitais que facilitam a visualização do mercado, como a exposição de fotos e informações sobre as espécies, suas variedades e atributos (altura, cor, tamanho do vaso e número de flores), cuja avaliação posterior auxiliar a identificar as “preferências” no mercado. A título de curiosidade, o nome Holambra é fruto da união das palavras Holanda (pátria-mãe dos pioneiros fundadores da cidade), América (o novo continente) e Brasil (a terra que os acolheu). Situada na região de Campinas (SP), completou 72 anos no último 14 de julho, também aniversário da Revolução Francesa, de 1789.

Pelo viés da capacitação profissional no agronegócio, Delafina destaca a ‘aposta em empreendedores’, que se materializa pela parceria entre a Embrapa e empresas privadas, aceleradoras de startups e fundos de investimento (https://www.embrapa.br/ecossistema-de-inovacao). “São exemplos, o Inoveaqua (inovação na Aquicultura), InovaAvi (inovação na Avicultura), além de setores como o leite e café”, menciona. Nesse sentido, Patrícia destaca que o intercâmbio tecnológico entre os produtores de Holambra e seus pares holandeses, que facilita a atualização tecnológica de equipamentos de automação na produção, sem contar o desenvolvimento de materiais genéticos, tecnologias em pós-colheita, máquinas higienizadoras, equipamentos posteriormente adaptados à realidade brasileira.

No front corporativo, porém, Delafina admite o maior desafio é “mudar a cultura interna (mindset), a partir do direcionamento de investimentos específicos a esses projetos e iniciativas”. Ele entende que essa é uma questão estratégica vital a ser priorizada pela empresa. “Há necessidade de ser resiliente, saber que os erros serão inevitáveis. A inovação requer esforços e uma capacidade de olhar seu negócio com o objetivo de “desconstruí-lo”, ou seja, fazer de forma diferente, colocando o cliente no centro das soluções”, conclui o gerente de TI.

C. Vale reforça arsenal digital para continuar crescendo

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Alfred Lang – Presidente da C. Vale

Sinônimo de inovação no meio rural, a C. Vale (PR), se adaptou à crise e decidiu antecipar tendência, ao lançar em 28 de maio – em plena crise sanitária – o ‘Dia de Campo Digital’, evento virtual que teve a participação de 26 empresas parceiras da cooperativa e somou mais de 9 mil visualizações.

“Antes da pandemia, realizávamos eventos anuais, como o dia de campo sobre “milho safrinha”, em que o produtor comparecia, observava os híbridos de milho e outras tecnologias, fazia escolhas e comprava os insumos para o ano seguinte”, relata o presidente da cooperativa. Mas como isso se tornou inviável, Lang resolveu contratar uma produtora de vídeo, movida a desafios, com o objetivo de criar o dia de campo digital. “Entre a decisão e a realização, foram duas ou três semanas apenas, mas que exigiram muito trabalho de planejamento para conseguirmos fazer ao vivo, estabelecendo um tempo específico (de três a oito minutos) para apresentação de cada empresa e de seus produtos”, relata o empresário. O esforço da C. Vale foi recompensando, pois  os produtores, via whatsApp, puderam de negociar insumos, de forma tranquila e sem aglomeração, como mandar os protocolos de Saúde.   

Detentora de um sistema de integração de frangos, grande produtora de milho e soja, além de matérias-primas para ração, a C. Vale (PR) pretende reforçar a aplicação de ferramentas digitais (big data, inteligência artificial, automação e drones – monitoramento das plantações e mapeamento aéreo) nas suas diversas atividades. “Na piscicultura, sensores mostram o nível de oxigênio e a temperatura da água nos tanques das tilápias, o que permite ao produtor fazer correções, em tempo real, das condições ideais dessa atividade”, ilustra.

Já no caso específico da avicultura, Lang destaca o monitoramento, igualmente em tempo real, do desempenho do frango no aviário e do funcionamento das instalações. “Qualquer alteração de peso do ou nas condições de temperatura, ou ainda no consumo de água ou nas rações, pode ser detectada pelo produtor, via celular”, conta. O monitoramento virtual serve, também, para medir o desempenho da equipe de agrônomos. “Por meio dele, é possível saber, no final do dia, quais propriedades foram visitadas, bem como fazer o mapeamento individual do potencial dos negócios dos produtores, a fim de reforçar o relacionamento comercial com cada cliente”.

Segundo Lang, uma das bases da integração avícola da empresa é o chamado ‘sistema de rastreabilidade’, pelo qual “conseguimos informar ao comprador a origem do peito ou da coxa de frango que ele vai consumir”. Procedimento idêntico vale para determinar o tipo de medicamento apropriado para as aves. “A ideia é assegurar aos nossos distribuidores e consumidores finais a segurança de que está adquirindo um produto com procedência. Trata-se de um diferencial importante diante da concorrência, que é gigantesca”, explica. 

Sobre a área de grãos, Lang menciona a tecnologia da agricultura de precisão, que verifica, em tempo real, o nível de produtividade da colheitadeira em operação. No caso do frango, ela faz o controle de ambiência, temperatura e velocidade do vento e, na piscicultura, fornece informações sobre a qualidade da água. Já na produção de leite, a principal função é medir a produção leiteira diária que, embora apresente custos operacionais elevados, estes devem se reduzir, em razão da popularização inevitável que se seguirá. 

Outra aplicação da agricultura de precisão é a produção de mapas com as características do solo, a fim de fazer correções com produtos químicos. “Hoje é possível, inclusive, aplicar fertilizantes e corretivos em taxa variável, ou seja, se um talhão da propriedade tem deficiência de um determinado nutriente, é possível fazer o ajuste pontual”, afirma Lang. Segundo ele, essas medidas são cruciais para redução de custos e potencialização do uso dos insumos.  

Outra vantagem tecnológica apontada por Lang é o acesso, via redes sociais, à previsão de tempo e de clima. “Isso é fundamental no planejamento de curto e longo prazos, pois o produtor pode ajustar épocas de plantio ou para aplicação de produtos químicos, com base nessas informações”, finaliza.   


Por Marcello Sigwalt – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 94


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