Vocês já devem estar cansados de ver textos falando sobre como a geração millennialencara de forma diferente o trabalho e como uma de suas principais características é o questionamento. A chegada das novas gerações ao mercado tem causado mudanças e gerado pequenos conflitos. Mas não são só os jovens que questionam suas carreiras, muitos executivos seniores em algum momento se perguntam também sobre qual será o próximo passo nas suas vidas profissionais. Muitas vezes essa dúvida surge por ter atingido um patamar no qual as promoções não são mais possíveis. Outras vezes é a vontade de ver um propósito (sempre ele) nas suas atividades e há casos que esse questionamento surge de forma compulsória por uma demissão ou reestruturação da empresa.

Se por um lado ninguém gosta de envelhecer, por outro o tempo de carreira nos traz experiência e conhecimento para ter uma outra perspectiva sobre um problema. É justamente esse exercício de olhar que é preciso ser feito por quem se propõe a participar de um conselho de administração.

Eu mesmo estou nesse ponto da carreira. Faço parte de alguns conselhos e quero dividir com vocês um pouco desse cotidiano. Umas das coisas que eu mais gosto é a diversidade de assuntos, como as empresas são de setores diferentes uma hora estou analisando o mercado bancário, uma oportunidade de investimentos e em outra o varejo ou o terceiro setor, por exemplo. É um momento de praticar a multidisciplinaridade porque as empresas estão em diferentes estágios de maturidade e enfrentam dilemas completamente diversos, lidamos com profissionais de todos os times. É claro que é diferente não estar mais diretamente ligado às decisões do dia, mas por outro lado acabo tendo mais tempo para me dedicar às outras atividades.

Para quem quer começar a pensar nessa possibilidade, mas ainda tem algum receio, uma boa opção é começar destinando algumas horas do seu tempo para mentorias. Há muitos empreendedores que estão ávidos por trocar ideias, receber esse olhar externo e construir sua empresa a partir dessas dicas e conselhos. Um outro caminho é começar participando de conselhos seja de administração, fiscal ou consultivo de ONGs, muitas dessas organizações nas áreas da saúde, educação, cultura precisam de ajuda para se estruturar e garantir a sustentabilidade da sua atuação.